sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Haiku XLI

Ó louva-a-deus,
diz ao camaleão
que te encontre na verdura

6 comentários:

ma grande folle de soeur disse...

gostei do sabor a verdura deste encontro a priori (im)provável...

Madalena S. disse...

Olá Dinis.
Tenho vindo até aqui mas não tenho deixado nada escrito, não porque não goste mas porque muitas vezes fico assim, a ler baixinho, a beber as ideias... sem stress... a apreciar o gostinho que vai ficando no final... prolongando-se, como os bons vinhos... e depois penso - mas que raio vou eu dizer ao meu amigo? Que gostei muito? Ele sabe que eu gosto muito.
Nada do que eu possa aqui deixar escrito acrescenta o que quer que seja. Mas também penso que é importante sabermos o que os outros pensam de nós e, por isso, hoje decidi resumir os meus últimos comentários não expressos num único comentário que vou expressar: Sinto-te a melhorar de haiku para haiku. Pelo menos eu gosto mais de cada um dos novos que vão aparecendo. Quando é que editas os teus haikus em papel? O Kerouac é pouco para quem gosta desta arte e era muito interessante ter alguma coisa em português.
Já pensaste em editar-te a ti próprio se não conseguires quem te edite? Podia ser a primeira obra da tua futura editora. Se calhar não é muito prático, mas lá que era giro não se pode negar.
Eu continuo com o meu coração a balançar entre a vontade de começar e a inépcia de principiante que não tem coragem. Um dia será. Até lá vou-me mantendo pelas minhas short stories que cada vez me dão mais prazer.
Um grande abraço para ti.

Nota: é verdade! No meu tempo, o 40em numeração romana era XL e o 41 XLI e por aí fora. Não sei se também dá para ser assim como tu tens mas não é lá muito prático. Se continuas, um dia destes deixas de ter espaço para tanto X.

David Rodrigues disse...

Olá Dinis:

Sou membro de uma lista brasileira de discussão de haikai. Há pouco um dos membros publicou um texto que acho que te interessa e que transcrevo abaixo. Entretanto concordo que os teus haiku começaram bem e estão cada vez melhores.
Recebe um abraço do

david Rodrigues



Colegas,



Apesar de que a obra haicaística de Jack Kerouac (1922-1969) é quase toda póstuma, as discussões sobre o haicai que ele inseriu no romance The Dharma Bums, de 1958, foram suficientes para despertar o interesse de milhões de pessoas nos Estados Unidos. O haicai surgiu de repente para as massas como um gênero literário novo dentro das inovações estilísticas e à sombra da filosofia anticonsumista que permeia quase tudo que a geração Beat criou. Todos os haicaístas norte-americanos que surgiram depois devem algo a Kerouac. É possível (não tenho dados para afirmar isto com segurança) que as experimentações de Paulo Leminski também tenham tido algum tipo de influência direta ou indireta da obra de Kerouac.




Não que os haicais de Kerouac sejam os melhores exemplos do gênero. "A real haiku's gotta be simple as porridge" ("um haicai de verdade é pra ser simples como um mingau"), diz Japhy Ryder, um dos personagens de The Dharma Bums. Essa é uma intrigante definição, mas não quer dizer que Kerouac a tenha seguido à risca. Sua obra haicaística, na verdade, foi estragada por um excessivo apego a excêntricas "tiradas" filosóficas de suposta inspiração zen-budista, repletas de absurdos e contradições, que influenciaram depois os pseudo-orientalistas, os hippies e toda a contracultura que exerceu tanto fascínio nas duas décadas seguintes.



Não foi sem razão que Kerouac se identificou tanto com o haicai e com a cultura oriental: a vida errante do autor tem algo a ver com a de alguns haicaístas japoneses, entre os quais Bashô, que percorriam seu país em longas peregrinações. Um de seus maiores amigos, o poeta Gary Snyder (que é, em The Dharma Bums, o Japhy Ryder autor daquela definição de haicai), tornou-se monge e viveu muitos anos no Japão.



Entre os haicais que surgiram "on the road", nas viagens que Kerouac fez através dos Estados Unidos, há poemas como estes:



The Golden Gate

creaks

With sunset rust



A "Golden Gate"

Estala com a ferrugem

Do sol poente.



Iowa clouds

following each other

Into Eternity



Nuvens de Iowa,

Uma seguindo a outra

À Eternidade.



Nenhum dos dois é um "real haiku", um "haicai de verdade", um mingau simples: há muito condimento neles. No primeiro, a bela imagem realista da grande ponte estalando é truncada pela interferência do pôr-do-sol "enferrujado", recurso estilístico inaceitável num haicai. No segundo, que se inicia também com uma observação objetiva, é a interferência mística que põe a perder o resto do poema (não como poesia, é claro, mas como haicai).




Meu abraço,



José Lira

Lidia disse...

Encontro só possível no verde da natureza?

Olá, Dinis! Há muito tempo que não nos vemos, mas os teus HAIKU possibilitaram o nosso encontro!

Lisa disse...

Nada melhor que este haiku no dia de aniversário do meu irmão...osculo ao teu eu

Dinis Lapa disse...

Olá a todos. Estive de Férias. Regressei.

David, sim, texto interessante.

Lidia, muito obrigado pelas tuas visitas e os teus insignes comentários . Sim, contava os teus cigarros, agora conto os meus. Beijinhos

Elisa, aparece. Ósculos