sexta-feira, 16 de maio de 2008

Haiku XVII

Num pinheiro vintão
mijei
debaixo do canto do pintassilgo

2 comentários:

Madalena S. disse...

Dinis,
fui ao site que me recomendaste. Achei curiosissímo, li um artigo de um tal Ban'ya Natsuishi que explica bem o que é o Haiku e as várias técnicas. Depois, por via dos Links, descobri um blog chamado Haikuportugal. Andei por lá. E um outro, Ma grande folle de soeur, uma mistura de português e francês que me agradou muito.
Mas estas navegações deixaram-me dúvidas: o haiku pressupõe um bucolismo latente? Aquela questão das palavras de "season" (não sei de que modo traduzir para ser fiel ao espírito) é obrigatória?
Ou seja, é possível criar Haikus (também acho que o plural não é assim tão linear mas sou novata no assunto!)que tenham um espírito essencialmente urbano? O Haiku pode traduzir uma cultura urbana?
Desculpa as perguntas mas tenho andado por aqui e estou de facto muito curiosa em relação a esta regra.
Já agora, aproveito para te dizer que este é dos meus preferidos.

Dinis Lapa disse...

O haiku, no sentido mais purista, é bucólico. É muito inspirado na filosofia Zen

Mas há umas décadas que se andam a criar haikus mais, digamos, urbanos. Lê os haikus do Kerouac (existe na net) para perceberes melhor aquilo que considero ser o mais aproximado do que faço, ou do que tento fazer.

Não somos japoneses, não falamos japonês e não vivemos na Natureza. O haiku é uma iluminação, e isso existe na sarjeta ao pé de casa.

Mesmo assim, considero importante esse elemento sazonal. Não é obrigatório, mas às vezes precisamos de qualquer elemento que nos situe no tempo e no espaço. É o what, where e when. Não precisas de usar a palavra Primavera. Basta, por exemplo, mencionar uma andorinha.