sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Haiku LXVIII

Neva em Trás-os-Montes -
os meus dedos
transparecem o sangue

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Haiku LXVII

Natal português -
À mesa
moamba de galinha

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Haiku LXVI

Bateste a porta.
Na memória
o teu seio

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Haiku LXV

Jaz, podre,
na mão da pedinte,
uma Bravo de Esmolfe

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Haiku LXIV

Quarto crescente -
Júpiter reluz
à tímida Vénus

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Haiku LXIII

Floresta de noite -
criança desesperada?
Gata em cio

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Haiku LXII

Sala de aula -
Turma barulhenta,
professora a chorar

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Haiku LXI

Peugeot Partner :
Grand Anoir altivo
enclausurado atrás

sábado, 8 de novembro de 2008

Haiku LX

No silêncio da noite
ouço suspiros dolorosos -
televisão acesa

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Haiku LIX

Segunda-feira -
A fronte dos homens
vira-se para o chão

domingo, 2 de novembro de 2008

Haiku LVIII

A mão rugosa
segurou o ar
e tremeu

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Haiku LVII

A menina loira
olha de soslaio
a câmara de videovigilância

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Haiku LVI

Chuva serena -
papel A4 branco
guarda gotas

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Haiku LV

Gárgula de pedra,
contemplas a noite -
ruído dos carros

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Haiku LIV

A rã coaxa -
Cala-se a noite
e a lua brilha mais

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Haiku LIII

A água enche
todo o balde -
dei-lhe um pontapé

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Haiku LII

Outono melancólico,
vem rápido
mais os teus haikus!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Haiku LI

Ó pomba branca,
trazes a paz? -
cocó no meu ombro

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Haiku L

Martelei,
falhei o prego.
Mosca esborrachada

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Haiku XLIX

Do céu
veio o pardal -
elevou-se uma luz

domingo, 14 de setembro de 2008

Haiku XLVIII

Na água
cai cocó -
pingo no ânus

sábado, 13 de setembro de 2008

Haiku XLVII

Dizem que chove
na Somália:
morre-se à sede

domingo, 7 de setembro de 2008

Haiku XLVI

Jardim Constantino -
um vagabundo
disserta Lobo Antunes

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Haiku XLV

Ao fundo do mar
deita-se a lua -
cor indizível

sábado, 30 de agosto de 2008

Haiku XLIV

Horizonte -
põe-se o sol
ergue-se o mar

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Haiku XLIII

Estendal-
cinco bonecas vetustas
penduradas

domingo, 17 de agosto de 2008

Haiku XLII

Noite -
entre os eucaliptos
luzes intermitentes

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Haiku XLI

Ó louva-a-deus,
diz ao camaleão
que te encontre na verdura

terça-feira, 29 de julho de 2008

Haiku XL

Jovem,
esse teu i-pod
silencia a vida?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Haiku XXXIX

Lua cheia
bate no charco -
que seres lá habitam?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Haiku XXXVIII

Entre um espelho
e um espelho partido
o meu corpo nu

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Haiku XXXVII

O fumo do cigarro
passa
entre duas mesas juntas

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Haiku XXXVI

Jaz em céu aberto
de barriga para cima
uma andorinha

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Haiku XXXV

Sol estival -
Ó hortênsia,
porque murchaste?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Haiku XXXIV

Formigueiro na planta dos pés -
fui ver,
não havia formigas

terça-feira, 1 de julho de 2008

Haiku XXXIII

No silêncio do sono
passou um esquilo.
O gato eriçou-se

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Haiku XXXII

Debaixo do sobreiro -
Cai-me no colo
uma azálea

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Haiku XXXI

Lusco-fusco,
ramo do pinheiro.
Coruja e cotovia

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Haiku XXX

Chaminé longínqua -
nunca tinha visto
uma nuvem azul

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Haiku XXIX

Canto da sala
Olho habituado ao escuro
vislumbra fumo

terça-feira, 10 de junho de 2008

Haiku XXVIII

O caracol
em cada momento
chega ao destino

sábado, 7 de junho de 2008

Haiku XXVII

Quebra-se o ramo do plátano -
De mim
cai um cabelo

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Haiku XXVI

Giro o globo.
Dedo indicador
perde-se no Pacífico

domingo, 1 de junho de 2008

Haiku XXV

Nos ramos
um trajecto -
gosma de caracol

sábado, 31 de maio de 2008

Haiku XXIV - a João Silveira

Entre os jacarandás -
raio de sol
e um velho sombrio

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Haiku XXIII

Dilúculo -
Entre as nuvens negras,
vagina azul.

Haiku XXII

Sentado no Metro -
Cego gordo
olha para o chão

terça-feira, 27 de maio de 2008

Haiku XXI

O haiku:
Momento chuvoso
em que te vi

Haiku XX

Jovem rapaz -
o vento revoluciona
o gel no teu cabelo?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Haiku XIX

À janela do comboio
uma borboleta enxerga
a jovem lendo Sade.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Haiku XVIII

Chuvas de Maio, calçada.
Um formigueiro
envolve o pardal.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Haiku XVII

Num pinheiro vintão
mijei
debaixo do canto do pintassilgo

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Haiku XVI

Testa duma indiana.
Procurei
mas não encontrei o tilak

terça-feira, 6 de maio de 2008

Haiku XV

Verão cinzento_
Trovão rasga
o peito da criança

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Haiku XIV

No fundo da gruta
lentamente abriu-se
uma porta

domingo, 27 de abril de 2008

Haiku XIII

Charco quente,
um pequeno sapo
esborracha o girino

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Haiku XII

Linha do Metro.
Cego pedinte
ritmando as moedas

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Haiku XI

Manhã sombria.
Escondido entre as papoilas
um haiku desfocado

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Haiku X

Aprazível mulher
banhando-se ao sol.
Mosca à volta.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Haiku IX

Sarjeta escondida da luz
Duas pombas
lutam por pão

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Haiku VIII

Inverno findo
Uma folha de plátano
vence a corrida

terça-feira, 8 de abril de 2008

Haiku VII

Rossio, dia húmido_
caixote do lixo aberto
exibindo vapores

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Haiku VI

Dia em Lisboa,
calor cortante_

rouxinol cantando

sábado, 5 de abril de 2008

Haiku V

Do ramo nu do sobreiro
caiu a víbora
no pescoço do bebé

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Haiku IV

Campo de cimento_
um gato contempla
a andorinha morta

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Haiku III

Chuva intensa.
Graffiti colorido
rindo-se da água

Haiku II

Inverno tempestuoso
Apenas um girassol
procura a luz

Haiku I

Tejo num dia solarengo
Carrego na mão
uma gota de água